Germano Mendonça Alves


SERRA DA ONÇA - Germano

25/10/2013 10:38

A Serra da Onça, por ser um dos Cartões Postais da nossa cidade, tanto pela sua exuberância e também pelo nome ecológico,   é palco de constantes visitas e de passeios tradicionais.

 

De quase todos os pontos da cidade se vislumbra a ferocíssima Serra da Onça com sua igrejinha branca, suas pedras esbranquiçadas  em meio a áreas  verdejantes. No inverno, quando as águas escorrem, com o brilho do sol elas ficam brilhosas, dão um reflexo de luz maravilhoso. Conta-se que antigamente, existiam locais onde as onças dormiam.

 

Anualmente, por ocasião da Semana Santa, há uma tradição de subir a Serra da Onça, onde muitos passam o dia, levam água, vinho e lanches e junto aos amigos e familiares buscam o famoso "banguê" (tubérculo agri-doce encontrado entre as pedras). Há uma tradição de rolar as pedras, porém, ultimamente, com o aumento das pastagens onde o gado dos criadores se alimentam , este costume tem diminuído muito.

 

A foto acima  foi clicada  em uma Sexta Feira Santa, lá do Monte Santo, por ocasião do Terço dos Homens. Aumentando-se o zoom ou, "apurando-se a vista", nota-se que existem pessoas lá em cima. No meio da subida existe uma enorme fenda, onde na época invernosa a claridade reflete o que na infância, chamávamos a Imagem da Santa.

 

Tomara que, no porvir, algum prefeito ou mesmo integrantes da Secretaria de Turismo de Alagoas, se interessem em tornar viável o acesso, com a construção de alguns degraus (local onde é obrigatório o uso das mãos para subir e descer) bem como, a colocação de postes e corrente ou cordas para proporcionar melhor segurança aos que para lá se dirigem.

 

O escritor matagrandense Djalma Mendonça em seu livro Monografia do Município de Mata Grande assim a define:

 

"Outro passeio inesquecível, que paga por ágio o esforço físico dos que possuem boa saúde e fortes pernas para subirem até lá, é, certamente, o da Serra da Onça, onde se chega por estreita trilha, galgando 700 metros de altitute, pouco mais ou menos.

Alí, no ponto mais alto, entre fraguedos, branqueja ao sol do verão, em atmosfera rarefeita e puríssima, ou nos ligeiros intervalos da névoa do rigoroso inverno matagrandense,minúscula capelinha, dedicada a Santo Antônio, por um de seus devotos, o comerciante Antonio Rodrigues Albuquerque.

O penoso sacrifício da subida, íngreme e tortuosa, é compensado, à larga , pelo magnifico e extasiante quadro que se descortina aos nossos olhos.

A visão paradisíaca é limitada no horizonte longínquo, ao oeste, pela cordilheira do Moxotó, com seus belíssimos pontos mais altos, destacando-se a do Parafuso, semelhante a essa peça mecânica e, mais ao sul, o chamado Serrote Preto, lembrando um chapéu de abas para baixo, cuja beleza talvez só encontre rival no famoso Gigante que Dorme, emoldurante a famosa Baía de Guanabara.

Aqui, porém nada se deve à mão astuta do homem; os nossos olhos apenas se maravilha  o comtemplar a obra explêndida do Criador!

Ao norte, outra visão fascinante! a serra da Boa Vista, sugerindo gigantesca cabeça de serpente, cujo corpo é formado pelo seu prolongamento, de dorso mais baixo, mas que nos corta a linha visual para horizontes mais largos."

 

Em tempo: leiam o que escreveu o jornalista Walter Medeiros no site www.rnsites.com.br/Mata Grande.

 

"PEDRAS DA SERRA --- Walter Medeiros

 

No sertão onde eu vivi, o homem não deixa nada sem conhecer de perto. É curioso e procura os mínimos detalhes sobre sua vida e o ambiente que habita. E isso o leva a se acostumar com as cobras, as rochas e os espinhos.

 

Ali pouco importa muita coisa que o desenvolvimento traz, principalmente quando leva vida simples. Foi por isso que subi a Serra da Onça, num convescote em certo domingo. Era muita gente. Quem já conhecia, ia mostrando os caminhos aparentemente impossíveis de seguir. Perigosos, porém não intransponíveis. A recomendação menor era com as coroas de frade. O maior cuidado, não escorregar. A pé se foi até a serra.

 Muita disposição exigia-se para poder subir, mas todo preparo era pouco para evitar o cansaço. Todo ânimo ressurgia, ao sentirmos que estava próximo o cume, com seus segredos, suas lendas e rochas até hoje não visitadas.

 A beleza da paisagem era muito grande. Todos ficavam a apreciá-la. Seguiam, porém, aos poucos, até se juntarem para comentar o medo de alguns, o desajeitamento de outros, as plantas nascidas das pedras.

Soltávamos a imaginação, esquecendo até a quentura das rochas sob o calor do começo da tarde. Conhecemos a Serra, nos divertimos e depois chegou, para muitos, a maior apreensão: descer de volta! Foi muita aflição junta, mas todos conseguiram. E a serra ficou lá, indiferente à visita, como representante dos poderes da natureza. Imortal, hoje talvez sem se abalar sequer com os anos de seca na região, que trazem penúria ao povo nordestino. "

 

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